Halo: Campaign Evolved é uma nova versão do clássico Halo: Combat Evolved, título que ajudou a lançar a marca XBOX em 2001 e que é considerado não só o precursor dos jogos de tiro modernos, mas quase unanimemente pela indústria reconhecido como um dos melhores jogos de todos os tempos. Recriar um jogo com essa importância histórica reconhecida mundialmente seria uma tarefa repleta de desafios e armadilhas na melhor das situações, o quê, sendo sinceros, está longe de ser o momento atual da franquia Halo.
Considerando, ainda, que este é o segundo relançamento do jogo, que já havia sido remasterizado em 2011 para o Xbox 360, e a primeira vez em que o carro chefe do lado verde será jogável no PlayStation, não é nenhum absurdo dizer que o Halo Studios tinha muito a provar com o seu primeiro lançamento após a mudança de nome e de liderança pela qual o time passou desde Halo Infinite. O polêmico uso da Unreal Engine, fato inédito na série, também pouco fez para contribuir com uma percepção positiva sobre o jogo desde o seu anúncio. O ceticismo não só dos fãs, mas dos entusiastas de jogos em geral, foi uma constante durante todo o ciclo de desenvolvimento e lançamento dessa nova versão da história que apresentou ao mundo o Master Chief.
Agora, após meses de especulação e de discussões intensas, chegou o dia tão aguardado pelos fãs de Halo: o lançamento de Campaign Evolved! A Halo Project Brasil teve a oportunidade de jogar o novo Halo CE nas últimas semanas e traz agora, em primeira mão, a sua experiência em uma análise exclusiva.
O Halo Studios conseguiu atingir as expectativas que acompanham um título como esse ou é Halo: Campaign Evolved mais um Halo controverso para os fãs e mundo dos jogos?

Com Campaign Evolved, Halo: CE se tornou mais acessível que nunca e em mais de uma maneira. Neste remake, temos um jogo de quase 25 anos de lançamento sendo completamente transformado e reconstruído em um shooter com gameplay moderna, gráficos de ponta e uma história retratada em cutscenes com direção digna dos maiores nomes do cinema internacional. De longe, as melhores de toda a franquia. A nova versão ainda traz missões inéditas, que se passam antes do início da história original.
Além disso, o jogo conta com uma vasta lista de opções para personalizar a experiência de cada jogador, sem contar, é claro, com o lançamento inédito e simultâneo para XBOX, PC e PlayStation. Nunca foi tão fácil jogar Halo: CE!
O jogo, porém, esbarra em certas limitações que o impedem de alcançar o mesmo nível de excelência que outros remakes aclamados pela indústria alcançaram, e sofre com problemas técnicos que prejudicam a experiência. O conteúdo inédito, ainda que divertido e bem-vindo, deixa a desejar.
A adição de novas mecânicas que são o padrão em um FPS moderno, como o sprint e hitscan, atualiza o gameplay de Halo: CE para uma nova geração de jogadores, abandonando as limitações da versão original. Ainda assim, mesmo mais moderno que nunca, Halo: Campaign Evolved retêm toda a essência dos Halos clássicos de maneira inconfundível.
É louvável a forma com que o Halo Studios conseguiu inovar sem fugir do estilo que é a marca registrada de Halo, provando, mais uma vez, que a franquia não precisa ficar parada no tempo para continuar sendo Halo. É nítido que o estúdio soube manter os jogos atualizados, evoluindo Halo sem perder a essência com o passar dos anos, o que é uma tarefa para poucos. É um fato recorrente que franquias antigas tentem retornar com novos jogos, mas falhem em capturar a magia dos originais. Já Halo está mais Halo e mais responsivo do que nunca. Sem dúvidas, Campaign Evolved já é um dos melhores shooters da geração.

Com armas clássicas refinadas e novas armas adicionadas, a gunplay de Halo: Combat Evolved encanta com sua diversidade e deixa a gameplay do jogo extremamente completa. Existem inúmeras maneiras diferentes de enfrentar os novos e antigos inimigos: temos Jackals snipers, Flood tanques e um tipo inédito de Brute.
Um dos pontos altos do jogo são as novas cutscenes. Se você considera as cinemáticas de Halo 2 Anniversary as melhores da franquia, você vai ficar de queixo caído com a qualidade das cinemáticas de Halo: Campaign Evolved. Com este remake, o Halo Studios eleva a cinematografia da franquia a um patamar nunca visto em um Halo, transformando Halo: CE em uma obra com uma história ainda mais envolvente e cativante.
E não para por aí. As cutscenes foram completamente feitas do zero e têm cenas inéditas que não existiam no jogo original, transformando a experiência de quem já jogou Halo: CE e de quem jogará Halo pela primeira vez. Até as cenas já existentes foram refeitas para ter uma cadência mais lenta e mais comovente, deixando o jogador sentir o peso de cada segundo e cada expressão facial. As cutscenes também trazem detalhes de lore inéditos, com alguns retcons e remoção de falas importantes do jogo de 2001, ponto que certamente é controverso e que deve objeto de discussões nos próximos anos.

O jogo não tem dublagem em português do Brasil, apenas legendas, mantendo o formato de localização de Halo: CE Anniversary, como o Covenant ser chamado de Irmandade, por exemplo.
Em 2011, Halo: Combat Evolved Anniversary foi lançado como um remaster de Halo: CE. Apesar de ter recebido muitos elogios, aquela versão foi criticada por modificar a direção artística do jogo. Até mesmo nas fases mais sombrias e assustadoras, a atmosfera foi alterada para incluir um tom com altíssimo contraste e cores vivas, o que decepcionou muitos fãs.
Quando Halo: Campaign Evolved foi anunciado, a preocupação de que o mesmo erro seria repetido foi levantada. O anúncio do jogo em 2025 mostrou, na visão de muitos, uma direção de arte visualmente sem identidade. No entanto, podemos afirmar que a versão de 2026 segue muito fiel àquilo presente na versão original.

Se antes missões como 343 Guilty Spark foram criticadas por mudarem completamente de tom no remaster de 2011, o Halo Studios conseguiu deixar a missão em Campaign Evolved ainda mais sombria e assustadora. Outras missões em ambientes desérticos e de neve também foram adaptadas de maneira muito fiel. Assim como no gameplay, é impressionante o nível de fidelidade mantido pelo Halo Studios ao trazer um jogo de 2001 para a modernidade sem se afastar dessa essência.

Visualmente, o jogo impressiona com modelos refeitos e iluminação de tirar o fôlego. Muitas vezes, você vai se pegar admirando por vários minutos a beleza da Instalação ao seu redor e das paisagens que cobrem o Halo.
Halo: Campaign Evolved tem 42 crânios colecionáveis que podem ser usados para alterar a experiência do jogo. Por exemplo, você só pode jogar em terceira pessoa após achar o crânio que habilita essa opção. Definitivamente, Halo: Campaign Evolved não é um jogo em terceira pessoa. Afinal, não existe opção de alternar para este tipo de câmera e a visão em primeira pessoa no meio de uma campanha já iniciada. Além disso, a gameplay do jogo não é adaptada para a terceira pessoa. O que existe é um colecionável que muda a experiência de jogo, assim como os outros 41 crânios. Só é possível alterar essas opções quando você inicia um novo save.
Essas opções individuais se somam ao mais novo modo Remix, que é desbloqueado automaticamente após o jogador achar três crânios. O modo Remix adiciona mais três outros crânios e torna a experiência de rejogar a campanha um verdadeiro caos, randomizando facções inimigas, armas iniciais, entre outros aspectos. A adição deste modo mostra que, apesar da ausência de um modo multiplayer PvP ou PvE, o Halo Studios se preocupou com o fator replay do jogo.
Além disso, os terminais voltaram ao formato de texto e apresentam detalhes interessantes para a lore, com registros interessantes para os fãs da história de Halo e que não interrompem o ritmo do gameplay.
Além de apresentar uma experiência modernizada, Halo: Campaign Evolved também acerta ao incluir inúmeras opções de acessibilidade e personalização.
Algumas opções que chamam atenção de maneira positiva:
Quando Halo: Combat Evolved Anniversary chegou em 2011, o jogo foi recebido, no geral, positivamente, dentro daquilo que podia ser esperado dele. Afinal, não se tratava de um remake propriamente dito, mas apenas de uma repaginação estética. Halo: Campaign Evolved, por outro lado, é apresentado como um remake completo, capaz de trazer Halo: CE para a era atual dos games e de introduzir novos jogadores à franquia. Seu lançamento, portanto, vem acompanhado de responsabilidades muito maiores do que as de um simples remaster.
Vivemos uma época em que remakes com mudanças profundas e melhorias consideráveis são cada vez mais comuns e apreciados. Resident Evil talvez seja o exemplo mais evidente, com reimaginações aclamadas como a de Resident Evil 2, que trouxeram os primeiros jogos da franquia para o século 21. Infelizmente, os jogadores que esperavam uma transformação desse nível em Halo: Campaign Evolved vão se decepcionar.
Para este relançamento, o Halo Studios preferiu jogar seguro e repetir a lógica de mudanças que já havia sido apresentada em Halo: Combat Evolved Anniversary. Fora os visuais deslumbrantes, as cutscenes ultra detalhadas, a gameplay refinada e alguns outros aspectos de menor destaque, Campaign Evolved se arrisca apenas em refinamentos pontuais, que melhoram o jogo original, mas que não enfrentam os problemas que fizeram Halo: CE envelhecer mal.
O principal ponto de crítica que Halo: Combat Evolved sofreu ao longo das décadas foi o level design. Se por um lado o jogo foi aclamado por apresentar fases com mapas enormes, por outro foi considerado maçante por causa do excesso de corredores repetitivos e cansativos. Campaign Evolved ataca esse problema, mas de maneira tímida.
A campanha é melhorada por mudanças pontuais que tornam o jogo consideravelmente menos simplista. A controversa fase da Biblioteca, por exemplo, é a que passou pelas maiores transformações. O nível continua desafiador, com o terror do Flood mais assustador do que nunca, porém está muito menos repetitivo. Agora, temos cenários com designs diferentes entre si, além de salas que apresentam dinâmicas inéditas com múltiplas pontes de luz.

Apesar de a experiência ser predominantemente positiva na Biblioteca, outras fases não passaram por mudanças tão profundas e continuam a sofrer com o excesso de corredores e geometria repetitiva. No geral, Halo: Campaign Evolved peca por ser uma experiência demasiadamente linear quando as missões saem dos cenários abertos, assim como acontecia no jogo de 2001. A diferença é que Halo: Combat Evolved foi lançado há mais de duas décadas, enquanto Campaign Evolved é um jogo de 2026. Ao longo de todos esses anos, a franquia e toda a indústria evoluíram substancialmente no quesito level design, elevando o padrão de qualidade esperado neste aspecto. Com Campaign Evolved, porém, o Halo Studios escolheu retroceder em relação aos seus próprios lançamentos anteriores e à barra estabelecida pela indústria, parando no tempo com um remake que refaz pouco exatamente o que era o maior calcanhar de Aquiles do jogo original.
O resultado é que jogadores antigos se sentirão, muitas vezes, rejogando o game de 2001, em vez de experimentarem uma experiência realmente digna de um remake. Já os novatos que esperem de Campaign Evolved um jogo inteiramente feito para 2026, e não para o início dos anos 2000, se decepcionarão com um FPS por vezes simplista e repetitivo, muito distante da experiência moderna que é esperada de um relançamento desse porte.

São problemas que seriam perdoáveis em um remaster que prometesse mudar pouco do jogo original. Porém, como já dissemos aqui, este é o segundo relançamento de Halo: CE, título que já recebeu uma remasterização em 2011. Para que um novo lançamento fizesse sentido, seria mais que ideal que o Halo Studios entregasse um remake completo, e não uma experiência limitada que preserva boa parte dos principais problemas do original.
No Xbox Series S, console em que analisamos o jogo, a experiência está repleta de problemas técnicos e bugs gráficos. Campaign Evolved oferece dois modos, e nenhum deles entrega uma experiência plenamente satisfatória:
Vale registrar que muitos desses bugs são iguais ou semelhantes aos que encontramos na demo, no mês passado. Os dois modos também apresentam fortes quedas de framerate durante as cutscenes.
Por outro lado, os problemas técnicos se concentram no desempenho e na parte gráfica. Bugs de jogabilidade são pouquíssimos e, ao longo de toda a nossa campanha, não encontramos nenhum que atrapalhasse de fato a experiência.
A principal novidade de Halo: Campaign Evolved é a adição de três novas missões, conectadas entre si e que funcionam como uma nova campanha. Elas se passam um ano antes dos eventos da campanha principal e estão recheadas de referências explícitas não só a jogos anteriores da franquia, mas também a Star Wars. O icônico Sargento Johnson reprisa sua dupla com o Master Chief de maneira mais presente do que nunca em um jogo Halo, sendo o principal fan service da campanha.
E é justamente esse o termo que define com perfeição as missões bônus: fan service. Desde o primeiro minuto de jogo, as referências diretas começam a aparecer e, logo em seguida, entra em cena um roteiro construído sobre inúmeros diálogos entre Johnson e Master Chief. Essas interações consistem em frases de efeito repetidas até a exaustão. Em Halo 2 e Halo 3, esse tipo de fala é recebido positivamente, mas Campaign Evolved corta toda a naturalidade do Johnson que os fãs conhecem.

A nova campanha traz um roteiro superficial e raso, que se escora no fan service para tentar entregar algo de positivo. Mesmo nos primeiros jogos clássicos da franquia, Halo já apresentava roteiros convincentes, apesar dos percalços. Com o passar das décadas, a série foi se destacando cada vez mais nesse aspecto, que se transformou em um de seus pontos altos. Campaign Evolved, porém, traz o roteiro mais limitado de toda a franquia, comparável a filmes genéricos de guerra ou mesmo aos piores filmes de super-heróis lançados nos últimos anos.
Assim como acontece na campanha principal, as missões bônus repetem o excesso de corredores e, na maior parte do tempo, oferecem uma experiência demasiadamente linear. Por outro lado, alguns momentos trazem cenários e formas de combate que tornam o jogo mais dinâmico. Conforme divulgado previamente em trailers, a nova campanha apresenta até gameplay de naves espaciais, o grande destaque das três missões.
A duração e a dificuldade também merecem elogios. Na dificuldade heroica, as missões bônus se mostraram consideravelmente mais desafiadoras que a campanha principal, estendendo-se por horas de gameplay.
Halo: Campaign Evolved já está entre os principais shooters desta geração. Sua gameplay, seu sandbox e sua gunplay o deixam no topo do segmento. Graficamente, apesar dos problemas, o jogo encanta. Cinematograficamente, Halo atinge um novo patamar.
No entanto, é notável a falta de ambição, ou de capacidade, da Halo Studios em promover um relançamento de Halo: CE que atenda a todas as expectativas. Em 2011, o estúdio já havia lançado um remaster do jogo de 2001 sem multiplayer. Em 2026, temos um remake também sem multiplayer PvP ou PvE, o que é uma grande decepção diante da qualidade da gameplay apresentada.
A grande novidade deveria ser a nova campanha. Porém, ela também decepciona, repetindo os mesmos problemas de level design pouco enfrentados na campanha principal e entregando um roteiro raso, restando a ela ser apenas uma experiência divertida. Tecnicamente, o jogo ainda apresenta inúmeros problemas de performance.
Em resumo, Halo: Campaign Evolved pode servir de base para futuros conteúdos da franquia, já que é o primeiro jogo do Halo Studios na Unreal Engine e existem rumores de eventuais remakes de outros Halos. O jogo encanta visualmente, sonoramente e no gameplay, mas decepciona consideravelmente quando escolhe jogar seguro demais.

Se os jogadores esperavam que, finalmente, o Halo Studios teria um grande acerto de qualidade inquestionável, lamentamos informar que este dia não é hoje. Halo: Campaign Evolved pode ser divisivo, mas certamente é divertido e entreterá milhões de jogadores antigos e novatos. A questão é: Halo merece muito mais do que apenas uma experiência divertida.
Curiosamente, terminamos nossa análise de Halo Infinite com uma conclusão semelhante:
“No geral, o grande triunfo de Halo Infinite é a construção de uma base sólida para o futuro do próprio jogo e da franquia no geral, algo que Halo 5 e 4 falharam ao apresentarem novos formatos de campanha e/ou multiplayer que não agradaram todos os fãs. Com Infinite, temos uma ideia de como as próximas campanhas serão lançadas: aproveitando e evoluindo o sistema de semi-mundo aberto e os upgrades de equipamentos. O multiplayer, por outro lado, já provou diversas vezes que tem um grande potencial, mas necessita de mais conteúdo e de sistemas consistentes, justos e que incentivem os jogadores a continuarem ativos.”
Como já devem saber, Halo Infinite decepcionou e pouco aproveitou a base construída a qual nos referimos. Isso adiciona um peso a mais a Halo: Campaign Evolved. Por anos, os fãs da franquia vêm recebendo experiências que servem de base para um futuro que nunca chega.