REVIEW: Halo: Edge Of Dawn é simples, mas cativante e emocionante

Willian 'Balde' Santos, 14 de janeiro de 2026

No último mês, o livro Halo: Edge Of Dawn — da lendária autora Kelly Gay — foi lançado como uma sequência direta dos eventos de Halo Infinite. A obra, mesmo tendo uma narrativa simples e facilmente compreensível, consegue ser tão emocionante quanto as obras anteriores de Kelly e o próprio Halo Infinite.

As opiniões contidas nesta matéria representam a visão do autor e não, necessariamente, as da Halo Project Brasil.

O anúncio de que Edge Of Dawn seria uma sequência do último jogo da franquia gerou polêmica na comunidade, pois muitos fãs esperavam ver os eventos de Infinite serem continuados em outro jogo. Porém, assim como a Halo Studios afirmou antes do lançamento do livro, Edge Of Dawn serve como uma transição entre Halo Infinite, os livros The Rubicon Protocol e (censurado por spoiler), e o próximo grande jogo da franquia — assim como First Strike, que foi uma ponte entre Halo: CE e Halo 2.

A história de Edge Of Dawn é simples, mas a simplicidade do livro é mais que o suficiente para demonstrar a superioridade natural de livros sob os jogos quando o assunto é história e narrativa. O livro de Kelly Gay aprofunda muito mais os personagens de Joyeuse — antes conhecida apenas como A Arma —, Fernando Esparza, Master Chief e Jega ‘Rdomnai — que está em uma jornada sangrenta por vingança após a morte de Escharum.

Por exemplo, fãs que consomem apenas os jogos ficariam chocados a ler, logo no início do livro, que o Master Chief fica sem capacete diante de Esparza e Joy, com o Piloto até ficando com vergonha ao perceber que Chief o observava. Em outro momento, a IA observa o rosto de John enquanto ele dorme.

Um leitor vive mil vidas antes de morrer. O homem que nunca lê vive apenas uma.

George R. R. Martin

Estas são apenas duas das inúmeras interações emocionantes de Edge Of Dawn, que também inclui várias profundas conversas entre o Spartan e sua nova companheira IA. Halo Infinite, que pode passar até das 20 horas de duração, e a química entre os dois nos dá a impressão que eles se conhecem há anos. Quando, na realidade, eles passaram apenas um curtíssimo de tempo juntos. Chief ainda sofre com o luto da morte de Cortana, enquanto Joy vive dilemas sobre o real propósito de sua vida. Esparza, por sua vez, ainda tem ferimentos profundos ocasionados pela tortura que ele sofreu na Casa de Reconciliação. Novamente, os livros de Halo demonstram mais uma superioridade em relação aos jogos — que, por suas limitações de mercado, mostram um Esparza com pouquíssimos ferimentos visíveis após ser brutalmente torturado pelos Banidos. Aliás, Kelly Gay não se segura em narrar as duras consequências físicas e psicológicas que a tortura traz às vítimas.

Halo Infinite pode ter sido lançado há 4 anos atrás, mas os personagens seguem com seus traumas e desafios. Afinal, Edge Of Dawn continua imediatamente após a cutscene final do jogo de 2021.

Com Edge Of Dawn, Kelly Gay continua ampliando sua presença entre as grandes lendas da história da franquia Halo — este é o sexto livro da saga escrito pela a autora. Continuamente, ela demonstra um tato inigualável para as particularidades de Halo, escrevendo histórias de ficção científica com personagens únicos, profundos e cativantes. Tudo isso soma-se às grandes cenas de ação que são narradas de maneira incrivelmente detalhada, não deixando a desejar em nada em relação a jogos e filmes.

Em resumo, Edge Of Dawn é um must read para todos os fãs de Halo. Ler esta obra sobre três destemidos amigos que não hesitam em se sacrificar para salvar não só uns aos outros, mas também novas companhias que eles encontram no caminho, enquanto ouvia a trilha sonora de Halo Infinite foi uma experiência “devastadoramente boa”. É difícil conter as lágrimas vendo Joy formando sua identidade como indivíduo, Esparza superando seus traumas e se reconciliando com o passado, e Chief sendo uma referência completa de herói. O trio se completa, e o Spartan não teria chegado perto de passar por todas estas aventuras sozinhos.

Em um mundo tomado pelo cinismo, o Master Chief segue como um farol da esperança, bondade e humanidade. Erroneamente, alguns jogadores tratam o Chief como uma figura indiferente. Eles veem a personalidade discreta do Spartan como uma lacuna que pode ser preenchida com violência e frieza egoísta. Isto se tornou ainda mais evidente em 2025, quando o governo dos EUA usou Halo como uma propaganda anti-imigração, comparando imigrantes ao parasita Flood. Muitos destes jogadores iludidos acharam que a figura do Master Chief seria compatível com este tipo de pensamento, mas eles não poderiam estar mais errados.

Kelly Gay continua a trilha de histórias deixadas por outros lendários autores e roteiristas que deram vida a John. Em Edge Of Dawn, utilizando-se dos recursos de uma forma de arte muito mais abrangente, ela mostra, mais uma vez, que o Master Chief não é apenas uma referência de eficácia militar, mas também de bondade. Chief protege seus amigos e os mais fracos, mesmo contra todas as possibilidades. Se praticar um sacrifício é necessário para dar conforto a alguém que necessita de paz, ele não hesita em se pôr na linha de frente.

Assim como Superman foi resgatado nos cinemas com o filme de 2025, lançado após os desastrosos Homem de Aço (2013) e DCEU — que mostraram o Superman como uma figura quase oca —, é preciso resgatar o Master Chief — e Halo, como um todo — das garras da violência, egoísmo e do ódio.

O Master Chief nunca foi uma máquina indiferente. O Master Chief é humano. O Master Chief é punk rocker.



Comentários