BGS 2026 – Uma nova fase ou mais do mesmo?

Miguel Kuipers, 7 de novembro de 2026

 A Brasil Game Show chegou à sua 17ª edição em 2026, com diversas atrações espalhadas pelo pavilhão, a expectativa era de que a edição desse ano representasse uma evolução em relação ao ano anterior, quando o evento adotou o slogan “Uma Nova Fase” e trocou o tradicional Expo Center Norte pelo Distrito Anhembi. 

Mas será que essa nova fase realmente chegou? Apesar de algumas atrações interessantes e da presença de empresas importantes, a BGS 2026 mostrou que ainda existem problemas que precisam ser resolvidos para que o evento volte a proporcionar aquela experiência que os fãs de games tanto esperam. 

Infraestrutura 

Pelo segundo ano consecutivo, a BGS foi realizada no Distrito Anhembi. A mudança de endereço, que aconteceu em 2025, trouxe algumas vantagens, como a facilidade de acesso por transporte público, a proximidade com a estação Portuguesa-Tietê e a disponibilidade de transporte gratuito oferecido pela organização. 

Entretanto, o que deveria representar uma evolução na estrutura do evento acabou evidenciando alguns problemas que já haviam sido percebidos na edição anterior. 

A BGS desse ano apresentou uma área de exposição aparentemente ainda mais reduzida, com grandes espaços ocupados por mesas, cadeiras e uma praça de alimentação que parecia ocupar a maior parte do evento, a sensação era de que boa parte do pavilhão poderia ter sido melhor aproveitada com atrações relacionadas aos games. 

A distribuição dos espaços também deixou a desejar em certas áreas, principalmente pela concentração de alguns estandes e pela localização mais afastada de áreas que mereciam maior destaque, como a dedicada aos desenvolvedores indies. 

Estandes 

Se existe algo que chama a atenção de quem frequenta uma feira de games, certamente são os estandes das grandes empresas, com seus lançamentos, demos e experiências exclusivas. Infelizmente, assim como em 2025, a BGS desse ano também não contou com estandes próprios das duas gigantes dos consoles: PlayStation e Xbox. 

A ausência dessas marcas continua sendo um dos principais pontos negativos do evento, especialmente quando lembramos das edições anteriores, nas quais era possível encontrar grandes estruturas, jogos inéditos e diversas atividades promovidas por ambos. 

Outras empresas importantes como Nvidia, Intel e HyperX, também ficaram de fora desta edição. Apesar dessas ausências, algumas marcas marcaram presença e garantiram boas atrações para os visitantes. 

Nintendo 

Fonte: https://www.gameblast.com.br/2026/04/brasil-game-show-2026-inicia-a-venda-de-ingressos-com-descontos-de-ate-45.html

A Nintendo foi novamente um dos grandes destaques da BGS, apresentando um dos maiores estandes do evento, dedicado principalmente ao Nintendo Switch 2. 

O espaço oferecia diversas estações para que os visitantes experimentassem jogos recentes e futuros lançamentos da plataforma, incluindo: 

  • Mario Kart World 
  • Donkey Kong Bananza 
  • Pokémon Pokopia 
  • Nintendo Switch Sports Resort 
  • Super Mario Galaxy + Super Mario Galaxy 2 
  • EA SPORTS FC 27 
  • LEGO Batman: O Legado do Cavaleiro das Trevas 
  • Call of Duty: Modern Warfare 4 

Além dos jogos, o estande contou com atividades especiais, distribuição de brindes, encontros para fotos com Mario e Luigi e a presença de Charles Martinet, conhecido por ter dado voz ao Mario durante décadas. 

A Nintendo mostrou novamente como a presença de uma grande fabricante pode fazer diferença em um evento desse porte, oferecendo aquilo que o público realmente procura: jogos para experimentar e experiências relacionadas às suas franquias favoritas. 

SEGA 

A SEGA também merece destaque por sua participação na BGS 2026. 

Presente pelo quarto ano consecutivo, a empresa trouxe seu maior line-up para o evento, em um estande bem mais destacável do que o utilizado em 2025. 

Entre os títulos disponíveis para demonstração estavam: 

  • Alien: Isolation 2 
  • Crazy Taxi: World Tour 
  • Persona 4 Reviva 
  • Stranger Than Heaven 
  • Sonic Pico Park 
  • Total War: Warhammer 40,000 

O retorno de Crazy Taxi certamente chamou a atenção dos fãs mais antigos, enquanto Alien: Isolation 2 e os demais títulos demonstraram a variedade de projetos apresentados pela empresa. 

A SEGA também ofereceu brindes exclusivos e atividades para os visitantes, reforçando sua importância entre os principais expositores da edição. 

Square Enix 

A Square Enix marcou presença com uma estrutura mais modesta, mas com atrações que certamente despertaram o interesse dos fãs de RPGs japoneses. 

O principal destaque foi a primeira demonstração jogável de Final Fantasy VII Revelation na América Latina, além de uma prévia de Final Fantasy Resonance. Para os fãs da franquia, havia também uma réplica da icônica Buster Sword, espada utilizada por Cloud Strife em Final Fantasy VII, disponível para fotografias. 

Apesar da importância dos jogos apresentados, o espaço reduzido e a quantidade limitada de estações de demonstração acabaram gerando filas consideráveis, com filas que chegavam a durar horas. É uma pena que uma franquia tão importante e uma empresa com tantos fãs tenham contado com uma estrutura tão limitada. 

Activision e Monster Energy 

A Activision, em parceria com a Monster Energy, trouxe uma das principais oportunidades para os fãs de FPS: experimentar Call of Duty: Modern Warfare 4 antes de seu lançamento. O estande da Monster contou com 36 estações de gameplay, além de atividades com influenciadores, distribuição de brindes e desafios entre jogadores. 

A Monster Energy Arena também voltou a receber competições e atividades relacionadas aos esportes eletrônicos, incluindo torneios e partidas de Call of Duty. Para quem gosta de jogos competitivos, certamente foi uma das áreas mais interessantes do evento. 

Devolver Digital 

A Devolver Digital trouxe uma proposta bastante interessante para os visitantes que procuram experiências diferentes das grandes franquias tradicionais. Com um espaço próprio, a publisher apresentou demonstrações de diversos títulos, incluindo Acts of Blood, Hyperdrop, Quarantine Zone: Miami Zero, Shroom and Gloom, Stronghold 4, Virtue and a Sledgehammer e Warhammer 40,000: Boltgun 2. 

A presença da empresa foi importante por oferecer variedade e permitir que o público conhecesse projetos que muitas vezes não recebem a mesma atenção dos grandes lançamentos. 

Outras marcas 

Além das empresas mencionadas, a BGS 2026 contou com a participação de marcas como Alienware, Havit, Keychron, TX3, Team Liquid e Ragnarok: Yggdrasil. A Havit apresentou novidades em periféricos, incluindo o headset FUXI H3 Ultra, enquanto a TX3 levou novos modelos de cadeiras gamer e acessórios para quem deseja renovar seu setup. 

A Team Liquid, em parceria com a Visa, trouxe um espaço dedicado aos fãs de e-sports, com estações de jogos, encontros com criadores de conteúdo e atividades interativas. 

Também tivemos a presença de diversas lojas de produtos geek, action figures, acessórios, colecionáveis e outros itens relacionados à cultura pop. 

E aqui voltamos a um problema que já havia sido observado em 2025: a quantidade de espaços comerciais parece crescer proporcionalmente à redução das atrações diretamente relacionadas aos videogames. 

Não há nada de errado em encontrar produtos colecionáveis ou aproveitar para comprar aquele item especial de uma franquia favorita. O problema começa quando uma feira dedicada aos games passa a transmitir a sensação de estar mais próxima de um grande centro comercial nerd do que de um evento voltado às novidades do mundo dos games. 

Mundo Cosplayer 

Como não poderia deixar de ser, os cosplayers marcaram presença na BGS 2026, trazendo vida aos personagens mais conhecidos dos videogames, animes, filmes e quadrinhos. Durante os quatro dias de evento, era possível encontrar diversos personagens circulando pelos corredores, participando de atividades e posando para fotografias com os visitantes. 

A comunidade cosplay continua sendo uma das grandes responsáveis por tornar a BGS um ambiente especial, proporcionando encontros divertidos e experiências que vão muito além dos estandes. Mesmo com os problemas estruturais do evento, a dedicação e a criatividade dos cosplayers continuam sendo um espetáculo à parte. 

Celebridades 

A edição de 2026 contou com convidados internacionais ligados ao desenvolvimento de jogos e à produção musical, embora sem a mesma quantidade de nomes de grande reconhecimento popular que marcaram algumas edições anteriores. 

Entre os principais convidados estavam: 

  • Kenji Kanno: Criador ligado à franquia Crazy Taxi, uma das séries mais lembradas pelos fãs dos clássicos da SEGA. 
  • Al Hope: Diretor criativo envolvido no desenvolvimento de Alien: Isolation 2. 
  • Archie Whitehead: Artista participante do desenvolvimento de Alien: Isolation 2. 
  • Shota Nakama: Produtor musical japonês e fundador da Video Game Orchestra, conhecido por suas apresentações que combinam rock e música orquestral inspirada nos videogames. 

Apesar da importância desses profissionais para a indústria, a BGS 2026 não conseguiu repetir o impacto causado pela presença de convidados como Hideo Kojima, Naoki Hamaguchi e Yoko Shimomura na edição de 2025. 

A presença de grandes personalidades sempre foi um dos atrativos do evento, especialmente pela oportunidade de conhecer profissionais responsáveis por jogos que marcaram gerações. 

Atrações musicais 

Um dos pontos positivos da BGS 2026 foi a presença de Shota Nakama e da Video Game Orchestra (VGO). Com apresentações diárias, o grupo levou ao público versões de trilhas sonoras dos videogames, misturando a energia do rock com a grandiosidade da música sinfônica. 

Esse tipo de atração merece destaque porque demonstra que a cultura dos games vai muito além de jogar. Suas músicas, personagens e histórias também fazem parte das lembranças de milhões de pessoas. 

Assim como aconteceu em 2025 com a apresentação de A New World: intimate music from FINAL FANTASY, as atrações musicais continuam sendo uma excelente maneira de proporcionar momentos especiais aos visitantes. 

Indie Games 

A área dedicada aos desenvolvedores independentes retornou à BGS 2026, reunindo 70 jogos apresentados por 31 estúdios e grupos de desenvolvimento. 

O espaço permitia que os visitantes conhecessem projetos autorais, experimentassem jogos em desenvolvimento e conversassem diretamente com seus criadores. 

Essa proximidade entre jogadores e desenvolvedores é uma das experiências mais interessantes que uma feira como a BGS pode proporcionar, principalmente para quem deseja conhecer melhor o processo de criação de um jogo ou até mesmo ingressar nessa indústria. 

Entretanto, apesar da quantidade de projetos apresentados, a localização da área indie deixou a desejar. 

Posicionada em uma região menos destacada do pavilhão, a área acabou perdendo visibilidade em relação aos grandes estandes e às atrações comerciais. 

É uma situação que merece atenção da organização, afinal, são justamente esses pequenos estúdios que podem desenvolver os grandes sucessos do futuro. 

Valorizar a produção independente, especialmente a brasileira, deveria ser uma das prioridades de um evento que se apresenta como a maior feira de games da América Latina. 

Arena Arcade e eSports 

A BGS 2026 também reservou espaço para quem gosta dos clássicos e das competições. A Arena Arcade BGS contou com um dos maiores espaços do evento, oferecendo máquinas de arcade gratuitas, equipamentos especiais pagos e máquinas de prêmios. 

Para os jogadores mais clássicos, foi uma oportunidade de revisitar experiências que marcaram gerações e relembrar a época em que os fliperamas eram um dos principais pontos de encontro dos fãs de videogames. 

Já no cenário competitivo, um dos destaques foi a final presencial do PlayStation Tournaments de MARVEL Tōkon: Fighting Souls, realizada no sábado, 10 de outubro. A competição reuniu oito jogadores classificados na etapa online, disputando prêmios e o título do torneio. Embora a PlayStation não tenha participado com um grande estande próprio, a realização dessa competição garantiu alguma presença da marca no evento. 

Conclusão 

A BGS 2026 chegou ao fim deixando sentimentos bastante divididos. Apesar de esta ter sido apenas a minha segunda edição da Brasil Game Show que tive a oportunidade de participar, foi nítido que o evento ainda não conseguiu superar os problemas que já haviam sido observados em 2025, quando aconteceu a mudança do Expo Center Norte para o Distrito Anhembi. 

O que deveria representar uma nova fase para a maior feira de games da América Latina acabou trazendo novamente problemas de organização, aproveitamento do espaço e uma sensação de que o evento está cada vez menor. E não estamos falando apenas do tamanho físico do pavilhão, mas, principalmente, da quantidade e da relevância das atrações disponíveis. 

A ausência de grandes marcas como Xbox e PlayStation, que continuam sendo referências fundamentais para a indústria dos games, pesa bastante. Da mesma forma, sentimos falta de convidados internacionais de maior reconhecimento, capazes de gerar aquela expectativa especial que sempre acompanhou as grandes edições da BGS. 

É claro que tivemos pontos positivos. Nintendo e SEGA apresentaram bons estandes, a Devolver  trouxe jogos interessantes, a área indie ofereceu oportunidades de conhecer novos projetos e as apresentações musicais da Video Game Orchestra ajudaram a tornar a experiência mais especial. 

Mas é impossível ignorar que a edição de 2026 apresentou os mesmos problemas de 2025 e, em alguns aspectos, até novos desafios, como o excesso de espaços destinados à alimentação, a redução da área de exposição e a distribuição pouco eficiente de determinadas atrações. 

Uma feira desse porte precisa oferecer muito mais do que lojas, brindes e merchandising. O público que visita a BGS quer conhecer novidades, experimentar jogos inéditos, encontrar suas marcas favoritas e vivenciar experiências que dificilmente teria fora dali. Afinal, estamos falando de uma feira de games, e são justamente os games que precisam continuar sendo seus grandes protagonistas. 

Também é importante reconhecer que a indústria mudou. Os custos de participação em eventos são elevados, as empresas estão mais cautelosas com seus investimentos e a concorrência com outras feiras e eventos especializados é cada vez maior. Porém, esses desafios não podem servir como justificativa permanente para a perda da identidade da BGS. Mesmo diante de todas essas críticas, continuo confiante no futuro do evento. 

Acredito que a organização ainda tem a possibilidade de reconhecer os problemas apontados pelo público, pela imprensa e pelos próprios criadores de conteúdo, e espero que utilize essas experiências para corrigir os erros e buscar novas maneiras de atrair grandes empresas, convidados e atrações realmente relevantes. A Brasil Game Show continua sendo um evento importante para a comunidade gamer brasileira, e seria uma enorme tristeza vê-la perder cada vez mais o espaço e a relevância que conquistou ao longo dos anos. 

Minha expectativa é que a edição de 2027 represente não apenas mais um ano de BGS, mas uma verdadeira evolução, capaz de recuperar aquele sentimento de entusiasmo e surpresa que fez tantos jogadores se apaixonarem pelo evento. Porque, no fim das contas, o que todos nós queremos é simples: uma feira que valorize os games e proporcione a experiência que os gamers do Brasil tanto merecem. 

Nos vemos na BGS 2027! 



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